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Resenha: O Diário de Anne Frank

E enfim eu li esse livro, meu Pai do Céu. Depois de protelar, de passar livros da Rowling na frente, enfim, eu terminei de ler O Diário de Anne Frank. Eu não preciso ficar falando sobre quem é a Anne, sobre a vida dela, nem nada disso, porque todo mundo já sabe. O livro é famoso, um clássico e um daqueles livros que você não pode morrer sem ler. Afinal, quem nunca ouviu falar no diário dela? Sempre que se fala em Segunda Guerra Mundial, Holocausto e Judeus, O Diário de Anne Frank é automaticamente citado. E por motivos notáveis, claro. 

   Devo admitir que o livro foi diferente do que eu esperava. Geralmente, nas histórias ambientadas na Segunda Guerra, sejam elas fictícias ou reais, o foco sempre foi a guerra em si, mas em O Diário de Anne Frank não é bem assim. Não que não se fale da guerra, porque ela é citada, o que é ótimo porque te faz lembrar de vários fatos e figuras histórias, bem produtivo; mas o foco não fica o tempo todo na guerra. Anne está escondida, isso é fato; Anne é judia, isso também é fato; Anne e sua família podem ser pegos pela Gestapo em qualquer momento, isso também um fato; ou seja, só o contexto da história já é a Segunda Guerra, não é preciso falar o tempo todo nela.

   Ao longo do livro são mostrados os pensamentos e sentimentos de uma garota dos seus 13 aos seus 15 anos, então, é legal. Por ser um livro famoso, ao meus olhos, Anne sempre foi um tipo de mito. Agora que eu li o livro ela se humanizou mais. Anne se tornou uma garota como qualquer outra. Ela erra, acerta, erra de novo, é rude, educada, mente, diz a verdade, fica triste... Anne Frank é somente mais uma adolescente comum. A diferença entre ela e as adolescentes comuns é que ela teve de passar esse período transitório e confuso trancada num esconderijo, escondida da sociedade, do mundo lá fora e tendo por companhia os pais e alguns estranhos, nada fácil. Por vezes ela é egoísta, e se reconhece como uma egoísta. Na verdade, a coisa mais legal é ver como ela muda de opinião sobre o pai, a mãe, a irmã, os companheiros do esconderijo e sobre si mesma. Anne se auto avalia o tempo todo, e até que se cobra bastante. Ela aparenta ser talentosa e levemente brilhante, ela parece ter sido uma boa garota.

   Anne morreu num campo de concentração antes de completar dezesseis anos, o último relato de seu diário foi em 1º de Agosto, antes de ela e sua família serem presos e mandados para campos de concentração.

   Há outra coisa, outro lado da moeda, que eu acho incrível nisso tudo. É interessante ver que mesmo nas nações dominadas pela Alemanha, (como é o caso da Holanda, onde se passa a história), ainda haviam pessoas dispostas a ajudar os judeus arriscando seus próprios pescoços pra isso. Essa é uma coisa muito significativa. Eu fico me perguntando com qual frequência isso ocorria na própria Alemanha, um dia preciso ler uma história verídica e alemã sobre uma situação assim.

   O fato é que, O Diário de Anne Frank não é um livro sobre a guerra, sobre o Holocausto ou sobre os judeus. O Diário de Anne Frank é um livro sobre os pensamentos, sentimentos, memórias, medos, receios, transformações e ações de uma adolescente que foi pega nesse rodamoinho. É a história sobre uma garota que teve de passar dois anos escondida, sem ver a luz do sol, pelo simples fato de ser de um povo diferente. No fim, talvez seja só uma história sobre o drama de uma adolescente que foi obrigada a crescer mais rápido do que as garotas normais de sua idade e que viveu muito mais coisas também. Anne me fez ficar louca por ela, louca com ela, com raiva dela, com vontade de dar uns sopapos nela, com vontade de dar um abraço nela e maluca pra ler as histórias que ela escrevia.


   Anne escrevia muito bem para uma garota de sua idade, ou melhor, ela simplesmente escrevia muito bem. Seus relatos são bem humorados e estruturados, a escrita é muito boa. Ela também é bem filosófica as vezes, capaz de pensar em coisas com um grande sentido e não bobagens clichês que pensamos aos treze anos. Anne era inteligente, engraçada e cativante. Eu enxergo Anne como uma garota comum, mas também a enxergo como uma pequena prodígio. Ler seu seu diário é uma experiência e tanto, algo muito intimo. Entrar na mente dela, vê-la de uma maneira que ela nunca mostrava pra ninguém. Definitivamente, O Diário de Anne Frank é um dos livros que você tem de ler antes de morrer, e dessa vez eu tô falando muito sério.