E depois de
relutar, pensar, repensar, esperar e tantas outras coisas terminadas em
"ar", enfim eu li Lolita. Sim, senhoras e senhores, eu tô falando
daquele livro super polêmico que causa confusão, discordâncias, divergências e
"tretas" entre os leitores e os críticos há séculos. De autoria de
Vladimir Nabokov, Lolita têm como protagonista Humbert Humbert, um homem de
mais ou menos quarenta anos, que se apaixona por uma garota de doze anos. Se
alguém ainda não tinha ouvido falar do livro, agora já sabe porque ele causa
tanta polêmica.
Eu li o livro
e assisti o filme de 1997, então eu vou tentar resenhar os dois meio que em
comparação, mas não sei se vai dar muito certo, então, desculpem caso isso saia
uma droga total. Falando num conjunto, eu não sei muito bem o que pensar ou
dizer sobre a história, sério, pelo menos não ainda. É uma temática muito
complicada pra se entender e digerir; basicamente, se você ler pensando que as coisas aconteceram exatamente da forma que Humbert narra (lembrando que o livro é todo narrado da perspectiva dele, em primeiro pessoa), vai acabar se questionando sobre várias coisas e não vai encontrar um vilão, no sentido propriamente dito da palavra. Embora, e isso é inegável, Humbert estava errado. Se você ler, entretanto, pensando que você só tem a perspectiva dele da história e que ele não é um narrador confiável, então, torna-se mais fácil condenar o Humbert, por assim dizer.
Sobre o livro: eu imaginava ele diferente. Ele superou as minhas expectativas, ponto pra Vladimir Nabokov, ponto pra Humber Humbert! Todo mundo sempre me disse que era uma história linda, que o Humbert ia te seduzir, que você ia adorar ele... Eu não diria que a história é linda, eu diria que ela é triste. E eu detestei o Humbert durante quase a história toda. Mas no fim, admito, ele me comoveu. Eu senti dó dele, foi só um pouco, mas eu senti. Como o próprio narrador te avisa no início, ele têm mesmo um estilo floreado de contar o que ele diz ser os fatos. O que significa que, em alguns momentos, pode ser que você realmente acredite que Humbert amava Lolita. Isso não quer dizer que você o achará menos errado ou doentio, apenas que de sua própria perspectiva Humbert chama aquele sentimento de amor, embora, obviamente, sua postura seja condenável.
O jeito que o
autor escreve a história, o jeito que ele descreve a Lolita, é verdadeiramente
muito bonito. O livro, poeticamente, é muito lindo. O primeiro capítulo, os
primeiros parágrafos, são lindos. Eu fiquei totalmente sem reação enquanto lia,
dificilmente eu fico sem reação quando leio alguma coisa, então, isso é muito
bom. Até agora, já faz três dias que eu terminei o livro, eu ainda não sei
muito bem o que pensar. Não com clareza. Entretanto, mais uma vez, é importante ter em mente que Humbert não é um narrador confiável, então é bom sempre duvidar de como as coisas realmente aconteceram. Há, conforme o livro avança, uma quase áurea de loucura, algumas coisas narradas não fica tão claro se ele está tentando te convencer que aconteceram ou se ele está tentando convencer ele mesmo também, pois parecem ser coisas que ocorreram só em sua cabeça.. Porém, o que se pode afirmar é que, assim como o próprio Humbert assume, ele destruiu a vida de Lolita.
No filme,
essa coisa da destruição não fica muito visível. Ao meu ver, o filme
pinta Lolita como a grande "vilã" da história. É como se tudo só
tivesse acontecido por causa dela, como se ela tivesse planejado tudo, como se,
desde o começo, ela tivesse seduzido Humbert. Quando eu li o livro eu não senti
nada disso. É claro que, a partir do olhar de Humbert, isso acontece conforme a história se desenrola, mas ele se apaixona por Lolita assim que a vê; não podemos culpá-la por isso, certo?
Essa é a única coisa que me incomoda no filme, de resto, ele é bem fiel ao
livro.
Voltando pra
história, eu gostaria de registrar que não gosto do Humbert. Mas, ele é um narrador hábil o bastante pra fazer você desgostar da mãe de Lolita pela postura que ela assume em relação a filha e, se você for excessivamente seduzido por ele, talvez em algum momento você se veja às voltas até com a própria Lolita num sentimento quase paternal de tentar protegê-la dele e de si mesma. Porém, sempre lembrando sempre que o Humbert não é um narrador confiável, somente um narrador muito hábil que se esforça a todo momento para convencer o leitor que a versão dele dos fatos é a verdade.
O livro é genial justamente por causa disso: se você acreditar no Humbert vai achá-lo maluco, mas vai ser convencido por ele e se for convencido por ele vai começar a questionar várias coisas. Porém, o livro é narrado em primeira pessoa, o que faz com que você não deva confiar no Humbert e o que só acentua a ideia de que ele era, inegavelmente, um louco, melhor dizendo, um pedófilo. Em resumo, acreditando ou não nele, Humbert Humbert era um homem louco, perturbado, atormentado... E mais do que isso, uma pessoa com quem se deve tomar muito cuidado, porque ele te convence. Enquanto você lê sua história, a maneira como ele a conta te convence. Chega um momento que ele faz com que você acredite nele; tudo é um grande exercício de pensar: ele não é confiável, ele é maluco, não podemos esquecer disso. A leitura acaba se dividindo em "se Humbert disse a verdade..." e "mas até que ponto posso acreditar nele...", culminando num grande: de qualquer forma, ele estava errado.
O livro é genial justamente por causa disso: se você acreditar no Humbert vai achá-lo maluco, mas vai ser convencido por ele e se for convencido por ele vai começar a questionar várias coisas. Porém, o livro é narrado em primeira pessoa, o que faz com que você não deva confiar no Humbert e o que só acentua a ideia de que ele era, inegavelmente, um louco, melhor dizendo, um pedófilo. Em resumo, acreditando ou não nele, Humbert Humbert era um homem louco, perturbado, atormentado... E mais do que isso, uma pessoa com quem se deve tomar muito cuidado, porque ele te convence. Enquanto você lê sua história, a maneira como ele a conta te convence. Chega um momento que ele faz com que você acredite nele; tudo é um grande exercício de pensar: ele não é confiável, ele é maluco, não podemos esquecer disso. A leitura acaba se dividindo em "se Humbert disse a verdade..." e "mas até que ponto posso acreditar nele...", culminando num grande: de qualquer forma, ele estava errado.
Se alguém me
perguntasse se Lolita é um bom livro, eu não diria que o livro é um bom livro.
Primeiro, porque ser bom ou não é algo muito pessoal; depende de quem tá lendo.
Segundo, o livro transcende esse patamar de "bom ou ruim". É um livro
que você precisa ler para tirar suas próprias conclusões sobre ele e seus
personagens. É um livro que todo mundo devia ler, nem que seja só pra dizer que
leu. Em resumo: leia Lolita. Toda essa história de não saber o que pensar, o
que dizer, o que fazer e coisas assim é legal. É bom se sentir assim. Ficar
pensando no livro num estado que não seja o estado de adoração comum. Enquanto
eu lia eu não parava de pensar no livro, não porque eu estivesse naquele estado
de leitor apaixonado pela obra, mas porque o livro simplesmente não saia da
minha cabeça. É uma experiência boa, é uma sensação nova, foi interessante
passar por isso. Portanto, leia Lolita. Leia e entenda o que eu estou tentando
explicar e o que todas as pessoas que leram vivem tentando explicar. Leia,
enlouqueça, se atormente, pense, repense e tire suas próprias conclusões.
Gosto muito de livros, muito mesmo, principalmente os de fantasia. Gosto de capas bonitas e folhas cheirosas. Sou apaixonada por mangás e animes, posso ficar horas discutindo sobre eles. Me vicio facilmente em séries. Gosto de assistir filmes, principalmente adaptações literárias. Amo ouvir música, quase qualquer música, diferentes tipos de música. Sou doida pra conhecer a Inglaterra e o Japão. Tagarelo muito sobre as coisas que gosto, e me empolgo, muito. Não sou tão boa, mas me arrisco a escrever.
