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Resenha: O Bicho-da-Seda


"O bicho-da-seda é fervido para que se retire o casulo!"


   Joanne Rowling está de volta na pele de Robert Galbraith e traz consigo seu cativante detetive em mais um mistério eletrizante. O Bicho-da-Seda é o segundo livro da série de romances policiais de Robert Galbraith, pseudônimo de Jô, e traz de volta o detetive Cormoran Strike e sua parceira, Robin. Após solucionar o mistério do caso Lula Landry, os negócios de Strike melhoram significativamente. Ele está cuidando de sua vida de detetive e se encarregando de seguir esposas e maridos infiéis quando, um belo dia, Leonora Quine aparece em seu escritório e pede que ele encontre seu marido, Owen. Owen é um escritor não muito famoso que tem o costume de desaparecer; entretanto, dessa vez seu desaparecimento parece ter passado um pouco dos limites, o que leva Leonora a procurar Strike e pedir que este encontre o excêntrico Quine. Apesar da aparência desleixada e avoada da mulher e da clara impressão de que ela não pode pagar por seus serviços, Strike aceita o caso. O que inicialmente era um simples caso de desaparecimento acaba se desdobrando em algo muito maior, complexo, medonho e perigoso. Cormoran e Robin se veem diante de um mistério ainda mais intrigante do que a morte de Lula Landry. 

   Se eu já amava Joanne Rowling antes, o que não é segredo para ninguém, e já a considerava fantástica, agora tenho certeza de que ela pode ser cada vez melhor. O Bicho-da-Seda é um mistério instigante e ainda mais arrebatador do que seu antecessor, O Chamado do Cuco. O desenvolvimento da história das vidas pessoais de Strike e Robin se desenrolam em paralelo com a trama central do livro. Somos envolvidos em uma trama de mistério com doses homeopáticas de pessoalidade capazes de quebrar completamente uma determinada tensão, porém inserindo outra.

   O Bicho-da-Seda é uma trama inteligente, mas ao mesmo tempo medonha. Eu nunca pensei em Joanne escrevendo algo desse tipo, nunca pensei que ela fosse fazer um mistério em que determinados assuntos fossem envolvidos, mas ela fez. E fez muito bem! Talvez inicialmente o livro pareça um pouco mais parado do que O Chamado do Cuco, mas quando ele engata não tem para ninguém. A partir da metade você não consegue pensar em outra coisa a não ser em ler mais um capítulo e mais um capítulo e mais um capítulo.... Alguns leitores disseram que o final de O Chamado do Cuco foi um tanto previsível, mas não acho que esse venha a ser o caso de O Bicho-da-Seda. O livro te coloca uma única ideia fixa na cabeça: onde está Quine? Quem é o culpado?

   Uma coisa que me agradou muito foi que, dessa vez, um culpado te é apresentado. Um determinado personagem é "pego pra Cristo" e somente Strike acredita em sua inocência. Você, enquanto leitor, não sabe se confia em Strike e procura um novo culpado ou se parte do pressuposto de que dessa vez ele está errado e crucifica o personagem em questão. Isso sem contar o tanto de vezes que você fica: "foi fulana... não, ela não... foi beltrano... não, ele não... FOI ESSE, ESSE AQUI, TEM DE SER, CLARO!" Mas no fim era outra pessoa.

   Outro ponto positivo é que em um determinado momento da história Strike diz ter uma teoria, porém ela não é contada ao leitor. Então, cada vez que Strike se refere a "sua teoria" você vai recebendo dicas e fica tentando descobrir qual teoria é essa. Você tem dois mistérios a resolver: o mistério da trama e a teoria de Strike. Trabalho duplo, mas muito prazeroso. Se nós fossemos Sherlock Holmes descobriríamos com rapidez, porém somos apenas meros mortais, o que nos obriga a fundir a cuca um pouco.

   Ao terminar O Bicho-da-Seda, eu me vi sentada numa cadeira encarando o horizonte com um pedaço da minha alma surrupiada. Fazia tempo que eu não tinha minha alma roubada dessa forma, estou muito empolgada com esse livro. Claramente Joanne fez mesmo um pacto forte, por isso ela captura nossas almas seja com Potter, Morte Súbita, ou com seu detetive pugilista.

   Outra coisa que me agradou bastante: o desenvolvimento do relacionamento de Robin e Strike. Todos já sabem, espero, que Robin é meu xodó. Ela é uma garota inteligente, que gosta de mostrar serviço e interessada.... Seu único defeito é ser noiva de um completo babaca, mas fazer o que, ninguém é perfeito. Nesse livro Robin ganha mais destaque e tenho quase certeza de que ela só vai crescer mais e mais nos próximos livros. Robin é o Watson de Strike; e Robin é uma garota. É comum nas tramas de Jo o aparecimento de mulheres fortes e tão capazes quanto homens (o que é um fato óbvio embora nem sempre retratado na literatura). Alguém, talvez a própria Jo, chegou a afirmar certa vez que "quando o assunto é força física, as mulheres saem perdendo em comparação aos homens, porém quando elas têm uma varinha na mão os dois se equiparam. Bruxas são tão boas quanto bruxos, porque magia não envolve força bruta!" Bom, Robin não é uma bruxa, mas sua dedicação e cérebro têm compensado a falta de força física que venha a lhe atrapalhar em alguma situação. Quanto a Strike, bem, ele é o chefe, certo? Ele é inteligente, segue seus instintos e é bem ferrado em sua vida pessoal; mas é justamente isso que o torna tão carismático. Strike e Robin são uma dupla de detetives prontos para cativar você!


   Resumindo tudo: O Bicho-da-Seda me colocou numa vibe total de mistérios, coisa que só aconteceu quando eu assisti à série Sherlock da BBC. Para quem gosta de livros de mistério é uma ótima pedida. Para quem gosta das coisas de Rowling é uma leitura obrigatória: você precisa acompanhar o crescimento dessa autora que nos cativou desde a infância. Portanto, nesse feriado prolongado, nas férias, durante uma rotina atarefada, não importa, leia O Bicho-da-Seda. Você vai se ver envolto por esse mistério tal qual o próprio bicho-da-seda se vê envolto por seu casulo!