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Resenha: Dom Quixote


"Encheu-se-lhe a fantasia de tudo aquilo que lia nos livros, tanto de encantamentos como de contendas, batalhas, desafios, ferimentos, galantarias, amores, borrascas e disparates impossíveis."

   Quem nunca ouviu falar do famoso Dom Quixote? Aquele fidalgo que, de tanto ler novelas de cavalaria e livros narrando as aventuras de cavaleiros andantes, enlouqueceu e resolveu ser sagrado cavaleiro e sair pelo mundo em busca de aventuras. Ao lado de seu escudeiro, Sancho Pança, Quixote nunca recua, sempre pronto para desfazer agravos e salvar donzelas; enquanto, no processo, se mete em muitas confusões. 

    A história de Dom Quixote é conhecida por muitas pessoas de várias gerações. Existem trocentas adaptações do livro, sejam edições infantis, ilustradas ou resumidas. O cavaleiro também já fez várias aparições em outras obras de ficção, dentre elas, o próprio Sítio do Pica-Pau Amarelo, de Monteiro Lobato. A narrativa gira em torno de um fidalgo que, após ler muitos livros contando as aventuras de cavaleiros andantes, acaba por ficar louco. Então, ele se autodenomina, ou melhor, se renomeia, Dom Quixote e resolve sair pelo mundo em busca de aventuras, tais quais os cavaleiros andantes dos livros que lia. O fidalgo, como bom cavaleiro andante, obviamente não está nessa empreitada sozinho; ele tem seu escudeiro, Sancho Pança, e juntos eles viajam por aí se metendo em muitas aventuras que sempre terminam em alguma confusão.

    Como já foi dito, existem várias edições diferentes de Dom Quixote. A edição que li foi da editora 34, em dois volumes: O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha (Primeiro Livro) e O Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de La Mancha (Segundo Livro). Em questão de conteúdo ela é muito boa. Tem uma boa introdução, dedicatória, história na íntegra, notas de rodapé, tudo bem completinho, mesmo. O único problema é a encadernação, a capa do livro se solta sozinha conforme você lê, parece até mágica, porém, esse não é o foco desse texto.

    Voltando para a história de Quixote, eu fiquei bem surpresa com relação à narrativa, mais precisamente com a linguagem da narrativa. Dom Quixote é um livro antigo, então, fui esperando uma linguagem pesada e arrastada, mas na verdade é tudo bem leve. É gostoso ler Dom Quixote! Apesar de ter muitas descrições e, até mesmo, digressões, a leitura é bem gostosa. Tudo é muito bem explicadinho, tudo é muito bem detalhado, mas não chega a ser cansativo.

    Acho que a coisa mais legal em ler um livro como esse é ver, diante de seus próprios olhos, a narrativa se desenrolando. É ver como o próprio autor, Miguel de Cervantes, construiu seus personagens e sua história. Ouvimos falar de Dom Quixote o tempo todo. Todos conhecemos o episódio dos moinhos de vento, todos sabemos que ele é louco, todos sabemos que o Sancho viaja montado num jerico; mas, ver como os personagens, os cenários e a história em si foi, de fato, construída originalmente (ou o mais originalmente que uma tradução é capaz de passar), é algo incrível.

   Pegando como exemplo os próprios Quixote e Sancho, eles são levemente diferentes do que costumamos imaginar. Dom Quixote, apesar de ser absurdamente louco quando o assunto é cavalaria andante, é completamente lúcido e consciente em relação a qualquer outro assunto. O fidalgo é incrivelmente culto e inteligente! Em sua loucura, Quixote se molda como um verdadeiro cavaleiro; apesar de sua armadura capenga, apesar de seu péssimo cavalo, ele acredita ter um porte e tanto. É até mesmo cativo da "sem par Dulcinéia de El Toboso", uma camponesa por quem ele foi apaixonado e, uma vez que enlouqueceu, a escolheu como sua donzela e dona do seu coração. Já Sancho, não é só um escape cômico, apesar de servir muito para esse propósito também. O escudeiro é ganancioso, fala bastante (inclusive tem uma língua super afiada) e sabe uma infinidade de ditos populares. E, apesar de bater de frente com seu amo de pensamentos baralhados, se mostra muitas vezes bem leal a Quixote.

  
Foi uma leitura prazerosa e enriquecedora. São dois volumes grandes, é verdade, porém os capítulos são muito curtos e a narrativa é leve e engraçada, o que faz com que você leia consideravelmente rápido. Existem passagens muito divertidas. Se você acha que a história do moinho de vento é engraçada, saiba que coisas bem piores aconteceram com Quixote e Sancho Pança. 

    Outro ponto positivo da obra é que o narrador de Cervantes conta a história toda como se fosse real. É um pouco semelhante àqueles livros que eram escritos contando a vida dos reis de Portugal. Quando você lê Quixote, é como se Quixote tivesse mesmo existido. O narrador tenta mesmo te convencer de que aquilo é real, que o que ele está fazendo é pura e simplesmente a narração das façanhas e disparates do fidalgo Dom Quixote, o Cavaleiro da Triste Figura.

    Em resumo, Dom Quixote é um daqueles livros clássicos merecedor de todos os elogios tecidos sobre ele. É leve, engraçado, marcante, inovador. Poderia ser visto como uma espécie de sátira de ótimo tom aos livros sobre cavalaria andante. As aventuras de um fidalgo enlouquecido que têm divertido e encantado muitas pessoas ao longo dos anos. Um livro apaixonante, um clássico!

"Só para mim nasceu Dom Quixote, e eu para ele; ele soube atuar e eu escrever"


    

Resenha: Hanazakari no Kimitachi e


   Hanazakari no Kimitachi e, mais popularmente conhecido como Hana Kimi, é um mangá de autoria Hisaya Nakajo. A história gira em torno de Ashiya Mizuki, uma garota japonesa que reside nos EUA. Ao ver o estudante japonês Sano Izumi praticar salto em altura percebe o quanto aquilo pode ser bonito e se torna uma fã do garoto; quando Sano, após se machucar, desiste do salto em altura Mizuki resolve ir ao Japão encontrá-lo. A garota se transfere para o mesmo colégio de seu ídolo, porém, o colégio é apenas para garotos, o que faz com que Mizuki corte seu cabelo, mude suas roupas e finja ser um menino. No colégio ela, enfim, encontra Sano, agora seu colega de classe e de quarto, possuidor de uma personalidade não tão amigável. O mangá não possuí uma adaptação em anime, mas possuí uma adaptação em dorama, que foi ao ar em 2007, e esse é, justamente, o assunto dessa resenha. 


    Hana Kimi chegou até mim pela via mais comum possível, indicação. Uma amiga adora o dorama e vivia me falando para assistir. Normalmente, eu não assisto muito dorama, mas resolvi dar uma chance. À primeira vista Hana Kimi não tem nada de especial: é uma história de uma garota que finge ser menino por causa de um objetivo qualquer. Esse enredo não é nada original, existem vários filmes com essa premissa, dentre eles, Ela É O Cara. Talvez, o fato do objetivo de Mizuki ser Sano soe um pouco incomodativo ou fútil; uma garota fingindo ser um garoto só para conhecer o ídolo... Porém, Hana Kimi não é nada disso.


      A primeira coisa importante sobre Hana Kimi é: a Mizuki não é uma fangirl louca stalker, ela tem um motivo de verdade para querer ir até Sano. Ela tem um objetivo sério e é um bom objetivo. A segunda coisa importante sobre Hana Kimi é que a história é um shoujo com um "humor de shounen". Okay, isso pode parecer estranho, mas acho que o termo é exatamente esse. A história se passa num colégio de garotos, tirando Mizuki a presença feminina na história é bem pequena. Noventa por cento do tempo só existem garotos em cena; garotos sendo garotos, fazendo coisas de garotos e se divertindo como garotos. Tudo isso se torna muito engraçado. Eles brigam e bagunçam e se conectam uns com os outros. Esse é um lado interessante de Hana Kimi, ele vai para além do romance; talvez, inclusive, o enredo desenvolva muito mais relações de amizade e companheirismo do que romance propriamente dito.

     O colégio de Mizuki possuí três dormitórios. Esses dormitórios competem entre si em todas as atividades esportivas, ou não tão esportivas assim, do colégio. Resumindo: é um bando de garotos adolescentes competindo por coisas bobas, brigando, se reconciliando e bagunçando muito juntos. Todas as cenas em que os três dormitórios se reúnem são muito engraçadas. É um humor bobo e simples, mas não deixa de ser engraçado. É muito humor de mangá shounen, umas coisas meio absurdas mesmo, e isso tudo é bem legal. Só para ter uma ideia, tem uma cena onde um dos caras faz cosplay de Char do Gundam pra conseguir falar com uma garota. É mais ou menos esse o nível do humor da história.

      Quanto aos personagens de Hana Kimi, eles são muitos. É um colégio de garotos, então, existem vários personagens masculinos. Existem também algumas personagens femininas, as garotas que estudam num colégio feminino que têm relações com o colégio que Mizuki frequenta. E, também, existem alguns adultos, claro. Embora eles não soem sempre muito maduros e sejam responsáveis por boa parte dos escapes cômicos da série também. Enfim, são muitos personagens mesmo, mas três merecem aquele destaque especial. 


    A primeira é a Mizuki, a protagonista da história. Ela mora nos EUA e simplesmente resolve ir ao Japão atrás do Sano. A Mizuki é determinada e gentil. É um pouco boba, mas não boba num sentido ruim. Digamos que ela é boba porque se preocupa muito com as coisas. Ao mesmo tempo ela é muito fofa e animada e sempre tenta ajudar todo mundo.

    Então, existe o Sano. Ele tem um pouco aquela coisa de protagonista de shoujo fechadão e calado, aquela atmosfera grosseira e gentil. Na verdade, em alguns momentos ele me lembrou um pouco o Kou de Aoharaido, mas o Sano dá menos raiva. O garoto praticava salto em altura e, logicamente, tem uns problemas familiares a serem resolvidos.

    Além do casal protagonista, por assim dizer, outro personagem bastante importante é o Nakatsu. No começo, ele me soou muito idiota e agressivo, mas na verdade é um cara muito legal. E é tão engraçado! O Nakatsu é muito dedicado aos amigos e tem uma personalidade marcante. Apesar da primeira impressão ruim é um personagem bem legal.


    Outro ponto que gostei em Hana Kimi é a ausência do que podemos chamar de "segundo cara". A relação em histórias de romance é simples: tem-se a protagonista, o protagonista e o cara que gosta da protagonista. Geralmente, em um dado período da história, provavelmente depois do protagonista fazer alguma estupidez, o cara se confessa e a protagonista acaba dando uma chance para ele. Logicamente nunca dá certo e, no fim, a garota volta para o protagonista, que seria o "primeiro cara". Costumo gostar de shoujos que quebram um pouco essa coisa e Hana Kimi faz isso. Existe um "segundo cara", mas ele acaba não acontecendo. E isso é ótimo, porque o segundo cara é quase sempre muito legal. Além desse fato do segundo cara não acontecer, em Hana Kimi quando o garoto começa a se interessar pela Mizuki ele se torna quase um Riobaldo de Grande Sertão: Veredas. O meninos começa a pensar se é gay, se questionar e pensar um monte de coisas. Algumas sensatas, outras bem bobas. É um processo interessante e, pode-se dizer, bonitinho.


    Num geral, Hana Kimi me surpreendeu bastante. A história tem uma premissa simples, mas se desenvolve de uma maneira satisfatória e é bastante engraçada. Acontecem algumas surpresas e reviravoltas também, nada excessivamente elaborado, mas o suficiente para tornar o enredo interessante. Me diverti bastante assistindo. O dorama tem até uns momentos bem emocionantes e bonitinhos, e não estou me referindo a momentos românticos. Hana Kimi foi a surpresa boa dessas férias; doze episódios muito engraçados, com uma trilha sonora quando não boa de fato, pelo menos divertida e animada, que me renderam muitas risadas e, até mesmo, alguns momentos tocantes.

Resenha: Chuunibyou Demo Koi ga Shitai!


    Chuunibyou. A síndrome da oitava série. Aquela época da vida em que os adolescentes resolvem ser diferentes de tudo e de todos, chegando até mesmo a fingirem que possuem poderes especiais. Esse é um dos elementos chaves que permeiam o enredo de Chuunibyou Demo Koi ga Shitai! Originalmente uma light novel escrita por Torako, com ilustrações de Nozomi Osaka, a obra ganhou uma adaptação para anime em outubro de 2012, um filme em 2013 e uma segunda temporada em janeiro de 2014. 

    A história gira em torno de Togashi Yuuta, um garoto que está para entrar no Ensino Médio. Entretanto, durante o Fundamental, Yuuta sofria do famoso chuunibyou. O garoto se autodenominava Dark Flame Master e acreditava ter poderes especiais. Agora, prestes a começar o Ensino Médio, Yuuta só quer deixar seu passado embaraçoso para trás e ter uma vida escolar diferente. Porém isso não será assim tão fácil graças à existência de Takanashi Rikka, sua vizinha e colega de classe, que ainda sofre de chuunibyou e conhece sua antiga identidade.

    Chuunibyou é um anime que eu queria assistir já faz um bom tempo, mas vivia enrolando, sempre encontrando uma desculpa diferente. Como são duas temporadas eu decidi fazer um post só para as duas de uma vez, então, sim, isso pode acabar se tornando um texto muito longo. Vou tentar dar o mínimo de spoiler possível, mas não posso garantir que vai ser cem por cento livre de spoilers, principalmente na parte da segunda temporada. Então, vamos lá.

Chuunibyou Demo Koi ga Shitai!



 Ah, a primeira temporada! Eu gosto muito dessa primeira temporada, eu gosto mesmo, mais do que da outra. Eu gosto porque apesar de Chuunibyou ser um slice of life, apesar de aparentemente ser só garotinhas fofas fazendo gracinha e o Yuuta respirando pesadamente pós alguma peripécia da Rikka, essa temporada aborda, sim, algo mais sério.

   A forma como o chuunibyou da Rikka, mas também o chunnibyou em si, é tratado é algo que fez com que eu gostasse ainda mais da história. Além dos personagens, além das piadas, além da animação de qualidade já esperada de um anime da Kyoto Animation. No momento em que eu percebi que havia, sim, uma perspectiva de abordagem do chuunibyou ali, no meio de tudo aquilo, eu gostei ainda mais de todo o conjunto da obra e do enredo.

    Como essa é a primeira temporada, é nela que são apresentados os personagens e todo o panorama da história. Acho os personagens de Chuunibyou todos muito carismáticos. Todos são fofos, engraçados e adoráveis à sua maneira. Todos. Tanto, que considero indispensável falar deles. 

    Começando por Togashi Yuuta, o protagonista mor, por assim dizer. O Yuuta, como a própria sinopse já mostra, sofria de chuunibyou durante seu Ensino Fundamental. O garoto se autodeclarava Dark Flame Master e acreditava ter poderes especiais. Acontece que o tempo passa, o Yuuta amadurece, e deixa de lado a síndrome da oitava série. Então, ele começa a se sentir envergonhado dos seus tempos de Dark Flame Master e quer deixar tudo aquilo para trás. Yuuta busca uma nova vida escolar, um recomeço, por isso ele vai para uma escola onde ninguém o conhece. Ele não quer ser apontado por ninguém como "o garoto que dizia ter poderes e estava sempre sozinho agindo como se desprezasse todo mundo". Entretanto, para além de um ex-chuunibyou, o Yuuta tem algo mais. Acho que ele tem, talvez, uma gentileza enraizada nele. Isso sem contar que ainda não abandonou completamente seu lado chuuni, se é que isso é possível, e a maneira como ele se relaciona com a Rikka é também muito interessante. Acho que talvez a palavra compreensivo exemplifique um pouco. Ele compreende a Rikka, isso é legal. 


    E falando em Takanashi Rikka, o que podemos dizer da garota que estraga todos os planos do Yuuta? Rikka e seu tapa-olho utilizado para selar seu poder. Rikka, a Wicked Eye. Rikka e suas frases que ninguém entende. Rikka que parece que nunca fala nada com nada. Rikka sempre tão fofinha... Acho a Rikka fantástica, mesmo. Ela é fofa, é engraçada, tem um bom desenvolvimento, principalmente nessa primeira temporada, tem um passado e usa um tapa-olho! Eu disse que gosto da relação que o Yuuta tem com a Rikka e isso, obviamente, se estende para a relação que a Rikka tem com o Yuuta. Ela não desiste, trata o Yuuta como Dark Flame Master mesmo que ele não queira mais ouvir esse nome; a Rikka enxerga a última pontinha de chuunibyou presente no Yuuta e esse é o começo de uma relação muito legal, mesmo.



Tratando-se de Rikka, não é possível deixar de lado sua serva, Sanae Dekomori. Se autodenominando Mjolnir Hammer, Dekomori conheceu Rikka pela internet e, desde então, se tornou sua serva. Ela é, simplesmente, a mais fofa. Não tem pra ninguém, não adianta. Aquelas marias-chiquinhas loiras, os pesos nas pontas, aquela voz fantástica... A Dekomori é uma peste! E isso é maravilhoso! Demorei um bom tempo pra decidir se tinha com ela uma relação de puro amor ou se eu queria esganá-la. A primeira opção ganhou. Dekomori é engraçada, uma serva dedicada e responsável por grande parte dos escapes cômicos ao longo do anime. Como? Atormentando a pobre Nibutani.

    E quem é Shinka Nibutani? Bom, no começo ela é apenas uma bela garota da turma do Yuuta. Os cabelos longos e brilhantes, a mais bonita da turma, as maiores notas... Nibutani é a estudante perfeita. Mas não, não é bem assim. A garota tem um passado: por mais incrível que pareça, ela também já sofreu de chuunibyou. Sua identidade era Mori Summer, uma maga de mais de cem anos. O objetivo dela é o mesmo de Yuuta, deixar todo esse negócio de chuunibyou para trás e recomeçar. Entretanto, com a presença de Rikka e, consequentemente, de Dekomori, uma grande devota de Mori Summer, não é nada fácil. Assim como Yuuta, Nibutani morre de vergonha do seu passado, ela chega a rolar, literalmente, no chão de vergonha. Também possuí um lado muito agressivo e um grande desejo de aceitação, mas é uma pessoa bem prestativa e uma amiga dedicada.


    Pode não parecer, mas no meio de todos esses chuunibyou e ex-chuunibyou existem pessoas normais. Ou quase normais, afinal, não sei se normal é uma palavra muito boa para descrever Kumin Tsuyuri. A garota é um ano mais velha que os demais personagens, sendo, portanto, a veterana, vulgo senpai. A Kumin só dorme. Ela praticamente dorme o anime todo; tem uma voz super calma e sonolenta, e é muito fofa. Toda essa fofura e gentileza consegue conquistar o coração de um de seus kouhai, Makoto Isshiki. E não, ela não tem chuunibyou. 

    Acho que quando o assunto é o Makoto, normal também não descreve muito bem. Apesar de não possuir a síndrome da oitava série Makoto é muito engraçado. Na verdade, ele é muito idiota. E também tem um pouco daquele estereótipo de garoto que vai para o ensino médio e quer "fazer sucesso com as mulheres", por assim dizer. Makoto é o primeiro amigo que o Yuuta faz na escola.

Além dos personagens adolescentes, considero importante a presença de Takanashi Touka. Ela é uma cozinheira profissional e não tem um bom relacionamento com a irmã, Rikka. A Touka também soa muito séria e agressiva, mas esse jeitão dela a torna engraçada em muitos momentos. E no fim das contas ela só quer ajudar a Rikka sair dessa de chuunibyou e mais algumas outras coisas que tem de assistir o anime para descobrir.

    Ainda falando de irmãos, vou citar Kuzuha e Yumeha, as irmãs mais novas do Yuuta. A Kuzuha tem um ar muito responsável e, de fato, ela é mesmo bem responsável. Já a Yumeha é muito novinha e só é fofa mesmo; porém protagoniza umas cenas super engraçadas.

    Somando enredo, personagens, trilha sonora, animação e todas as coisas de sempre, a primeira temporada de Chuunibyou é mesmo algo incrível. Tem humor, tem "romance", tem coisas fofas e tem, sim, uma parte mais séria. Anteriormente, eu falei sobre a forma que o chuunibyou é abordado na trama e esse acho que é o grande diferencial para mim. É o toque à mais que me fez apreciar verdadeiramente essa temporada e entrar super animada e com o pé direito na próxima.

Chuunibyou Demo Koi ga Shitai! Ren

  
     A segunda temporada não é, a meu ver, tão boa quanto a primeira. Não que seja ruim, isso não, a primeira só me agradou um pouco mais. Nessa nova temporada houve um desenvolvimento maior das relações entre os personagens. Uma vez que se teve a resolução do conflito existente na primeira temporada, a segunda acabou sendo um pouco mais leve. O foco é um desenvolvimento interpessoal num sentido mais romântico, como sempre muito bonitinho e engraçado pra caramba.

    Uma série de fatores levam Yuuta e Rikka a morarem juntos. Uma coabitação secreta que poderia dar em muita coisa caso a Rikka não sofresse de chuunibyou. Em contrapartida, uma antiga amiga de Yuuta aparece: Shichimiya Satone. A garota andava com Yuuta nos tempos do Fundamental, sua identidade chuuni é Sophia Ring SP Saturn VII e, sim, ela ainda sofre de chuunibyou.



A Satone é a grande nova personagem da trama, ela aparece para meio que dar uma desestabilizada nas coisas. Eu digo meio porque não acontece, exatamente, uma grande mudança nem nada. A voz dela é um pouco irritante, mas ela é muito animada, meio hiperativa e bem engraçada.

    Confesso que quando a Satone apareceu pensei que o anime poderia acarretar uma grande ship war, afinal, nessa segunda temporada a Rikka e o Yuuta têm um contrato de namorados; mas não senti muito essa vibe emanando. Eu diria, inclusive, que a presença da Satone ajudou muito em algumas coisas. Essa temporada tem uma carga de desenvolvimento de relações, isso vale tanto para o relacionamento do Yuuta e da Rikka, quanto para o da Dekomori e da Nibutani. Inclusive, a Nibutani se desenvolve muito nessa temporada.

    Essa segunda temporada foi muito amorzinho, muito amorzinho mesmo. Ela tem um foco um pouco maior no romance, então rolam muitas cenas bonitinhas e engraçadas, já que metade do elenco sofre ou já sofreu de chuunibyou. Entretanto, mesmo nos relacionamentos não românticos acontecem muitos escapes cômicos também. É uma temporada muito engraçada. Talvez o grande contraste seja este. A segunda temporada é mais leve, é mais amorzinho e risos mesmo. Mas, ainda assim, foi bem legal de assistir. 

     Além da Satone não há nenhuma outra grande interferência. A turma continua toda a mesma: Yuuta, Rikka, Nibutani, Dekomori, Kumin e Makoto. Talvez o que tenha aumentado são as cenas de briga entre a Dekomori e a Nibutani, que me causaram altas gargalhadas. Eu amo a interação delas, parecem cão e gato, é muito legal.

     Portanto, o saldo final da segunda temporada também é positivo. Mesmo eu não sentindo aquele "foco mais sério" por trás, foi muito bonitinha e engraçada. São doze episódios muito bem feitos que vale sim passar suas horas assistindo.

Conclusão


    Num geral, somando as duas temporadas com tudo o que foi apresentado nelas, Chuunibyou tem um saldo muito positivo. É um anime com uma história bonitinha e interessante, que têm um bom desenvolvimento e uma boa execução tanto em relação ao enredo, quanto em relação às coisas mais técnicas. Me diverti bastante assistindo Chuunibyou; eu ri, eu chorei (muito, no final da primeira temporada), tive overdose de fofura... Em suma, foi uma experiência super válida e, no final de tudo, ainda ficou aquele gostinho de "quero mais".  



"De fato, nós carregamos o chuunibyou durante toda a nossa vida."
   





                                                  

Resenha: Mahou Shoujo Madoka Magica


"Você pode fazer um contrato comigo e se tornar uma Mahou Shoujo!"

   Não é de hoje que se ouve falar de Madoka, a mahou shoujo, a deusa, a carta trunfo da New Pop... Existem piadas e comentários sobre Madoka espalhados por todos os lados da internet. Quem ouviu falar sobre e ainda não conhecia já deve ter procurado e se visto diante duma linda garotinha moe de cabelos rosa. Entretanto, eu ousaria dizer que Madoka é mais do que isso. 

   Mahou Shoujo Madoka Magica é um anime do ano de 2011 que, aparentemente, não tem nada de especial. O título já denuncia: mais um anime de mahou shoujo, ou é isso que deveria ser. A história gira em torno Madoka, uma estudante comum que vive uma vida comum até se encontrar com uma criatura misteriosa chamada Kyubey que lhe a faz uma proposta: ela deveria fazer um contrato com ele e se tornar uma mahou shoujo. Entretanto, apesar de parecer simples, ser uma mahou shoujo é uma tarefa muito mais árdua do que se tem ideia.

Eu vejo Madoka como um claro exemplo de desconstrução. A história desconstrói o que se espera do gênero mahou shoujo. A primeira coisa que me chamou atenção é justamente a expressão, o nome do gênero, ali, bem no título "mahou shoujo". Já assisti outros animes desse tipo, mas o nome do gênero não havia aparecido, até então, desta forma. Madoka, escancara, logo de início o tema da série e isso é algo interessante de se deparar. Outra coisa que eu gosto é como tudo em Madoka gira em torno, num plano mais superficial, do mahou shoujo. O foco não é um grande vilão que elas precisam derrotar, não é algum reino perdido, não é um bruxo misterioso, não é nada disso; o que importa é o mahou shoujo. Por que se tornar uma mahou shoujo? Por que uma mahou shoujo luta? Qual o sentido de ser uma mahou shoujo? Afinal, o que é ser uma mahou shoujo? O que é, exatamente, a existência de uma mahou shoujo?

    Madoka gira e se desenvolve em torno dessas questões e desse universo. Porém, não é só isso. O anime é diferente do que se espera das histórias comuns de garotas mágicas. Claro que as personagens são fofas, claro que elas lutam com graciosidade, claro que tem situações moe, entretanto, em oposição à tudo isso há uma grande carga sombria. Madoka tem uma carga de mistério e também uma carga sentimental muito grande, e a carga sentimental de Madoka é dolorosa. Dor é o que não falta em Madoka.

    O anime tem apenas doze episódios, mas acredito que ele se realize muito bem dentro desse espaço. Você tem uma proposta apresentada, você tem muitas voltas e você têm, em suma, personagens bem interessantes sendo expostos aos seus olhos. E esses personagens são importantes para a toda essa ideia de desconstrução do gênero, mistérios a serem descobertos e tudo o mais que envolve o anime.

   A primeira mahou shoujo com quem Madoka se depara, a primeira que ela vê atuando, é a Tomoe Mami. Ela é um ano mais velha que as demais personagens e aparenta ser absurdamente madura. A Mami tem uma presença considerável e é muito gentil. A garota acaba se tornando a mentora de Madoka e Sayaka após salvá-las do labirinto de uma bruxa. A Mami é, de uma certa forma, o ponto de partida para que o expectador comece a perceber que Madoka não é um anime comum de garotas mágicas, a postura de Mami enquanto mahou shoujo já começa a dar sinais disso. 


    Miki Sayaka é uma amiga de Madoka. Quando as duas salvam Kyubey ela também recebe o convite para se tornar uma mahou shoujo. Vejo um pouco a Sayaka como "a enfurecida". Ela não é a mais enfurecida, talvez, mas ela tem uma fúria muito grande dentro dela e isso vai além do pavio curto que ela já demonstra ter. A Sayaka é engraçada, é divertida e eu ousaria dizer que a vida de mahou shoujo a quebra. Toda essa responsabilidade, tudo o que isso traz, tudo o que isso é de verdade leva Sayaka a situações e atitudes nada saudáveis. Ela sente raiva, muita raiva.

   Sakura Kyoko é uma mahou shoujo que aparece na cidade para reclamar território. Inicialmente ela soa egoísta e arrogante, mas tem muito mais por trás dela. Kyoko come pra caramba e tem uma interessante relação de antagonismo com a Sayaka. Apesar do ar todo empertigado a mahou shoujo tem muito mais a oferecer.

   Akemi Homura é, aos meus olhos, uma das melhores personagens, de longe. Não digo isso só porque ela é minha favorita ou só porque ela é muito importante para a maneira como os fatos acontecem e sua conclusão, mas sim porque ela é uma personagem que tem coisas a oferecer. A Homura tem meio que "cara de nada". Ela soa fria, calculista, misteriosa e sempre sabe de tudo. Ela faz o que precisa ser feito não importa quais sejam as consequências, não importa o que aconteça. Homura tem um objetivo, uma missão e sabe o que quer. É por isso que ela luta e ela faz de tudo para alcançar esse objetivo. A Homura torceria um universo todo para chegar até onde ela quer e fazer o final que deseja.

  

Então, temos Kaname Madoka, aquela que dá nome ao anime, aquela por quem tudo acontece, aquela ao redor do que tudo gira. A Madoka é minha segunda favorita, na verdade ela e a Homura são meus grandes amores nesse anime, e ela é tão linda. Ela é fofa, gentil, delicada, altruísta, pensa nos outros e sobre as coisas. Eu gosto da Madoka. Nem sempre eu gosto das protagonistas de mahou shoujo, mas da Madoka eu gosto. Tudo é construído de uma forma que não consigo não gostar dela. Ela é importante e não é chata. Talvez não pareça, mas a Madoka é uma garota e tanto.

    Preciso, ainda, falar do Kyubey. Ah, não se deixem enganar por essa aparência fofinha. Esses olhos vermelhos, foquem nesses olhos vermelhos e lembrem-se que as aparências enganam, e muito. O Kyubey é bem misterioso, em alguns momentos você não sabe muito bem o que, afinal, ele planeja. Ele não é mau, segundo seus próprios valores e objetivos, mas segundo os valores humanos ele é mau. O tempo todo você sente que tem algo por trás dele, o tempo todo você sente que ele não está se mostrando como é de verdade. Kyubey é um enigma que vai se desvendando aos poucos, mas desde o início percebe-se que, nem de longe, é o que parece ser.

    Juntando todos os elementos de Madoka, posso dizer que gostei bastante do anime. Eu gostei das músicas, do clima, do enredo. O final é satisfatório, compreensível, tem um pouco aquela sensação de "tem de ser assim". Ao longo do desenrolar da história também é possível notar algumas cenas com menções ao sagrado e ao santo. Não digo isso num sentido cristão, embora, algumas coisas sejam possíveis de se relacionar; mas, desde o início, em determinados momentos eu senti um pouco que podia haver essa ou aquela ligação com algo divino. Eu digo isso porque, no final, é algo muito escancarado e aparente, talvez pareça um pouco surpreendente (não o final em si, mas a clara relação com o divino), porém desde o início já se tem uma leve preparação para isso.


   Além do anime, Madoka tem três filmes e adaptação para mangá. Os primeiros dois filmes são um resumão do anime, já o terceiro é uma espécie de continuação, uma coisa a mais. Confesso que gosto mais da maneira que o anime termina do que o terceiro filme. Não que o filme seja ruim, não. É legal, é bom, é emocionante e eu chorei duas vezes mais com ele do que com o anime. Eu desidratei com o filme, porém, em alguma coisa ele me incomoda. Talvez eu ainda esteja digerindo, acho que deve ser isso. Quanto ao mangá existem várias adaptações, dentre elas: uma que adapta diretamente o anime para mangá, tem três volumes e o mesmo nome do anime; Puella Magi Kazumi Magica: The Innocente Malice e ainda, Puella Magi Oriko Magica. Nos dois últimos mangás o enredo não tem a ver, diretamente, com o enredo do anime. 

    Assistir Madoka foi uma experiência e tanto para mim. Eu entendi porque tanta gente gosta do que parece ser apenas mais um mahou shoujo, eu vi uma desconstrução de todo um gênero e fui completamente envolvida pela história. Quem gosta de mahou shoujo deveria assistir Madoka, mas quem não gosta deveria MESMO assistir, verdadeiramente tem um conceito bacana, me agradou bastante. À primeira vista pode parecer apenas mais um anime de garotinhas mágicas se transformando, pulando e agindo de forma fofa, mas não é nada disso e a mágica de Madoka Magica é, exatamente, esta!

"Não se esqueça. Sempre, em algum lugar, alguém está lutando por você. Enquanto se lembrar dela, você não estará sozinho."


    

Resenha: O Gigante Enterrado


   Vez por outra nos deparamos com um livro que, logo no primeiro olhar, nos enche de curiosidade; esse é o caso de O Gigante Enterrado. Seja pela capa que é fantasticamente linda, capaz de captar vários dos seus sentidos, seja pelo inusitado fato de ser uma literatura britânica escrita por um japonês. 

   De autoria de Kazuo Ishiguru, O Gigante Enterrado se passa numa terra marcada por guerras recentes e sob uma névoa do esquecimento. A história se inicia com um casal de idosos que resolve visitar o filho que há muito não viam, porém, sua jornada acaba se tornando mais longa e cheia de desvios do que eles esperavam. O livro transita entre a fantasia e o lirismo e trata com muita delicadeza de temas como o amor, a guerra e a memória.

   Devo dizer, logo de início, que o livro tem um clima tolkiano muito grande. Durante a leitura, muitas vezes eu me sentia imersa num universo semelhante ao de O Senhor dos Anéis e não estou dizendo isso pela temática do livro. Tem alguma coisa no estilo do Ishiguro que me lembra o estilo do Tolkien em A Sociedade do Anel; ironicamente, o Pullman da trilogia Fronteiras do Universo, me remete ao mesmo sentimento em determinados momentos. É como um peso leve, um avanço lento, é acolhedor. Eu gosto.

    O Gigante Enterrado foi uma descoberta interessante. Quando li o título não imaginei que a história seria contada da maneira que é contada, ou seguiria os rumos que seguiu. Foi uma surpresa satisfatória. O narrador começa o livro se dirigindo ao leitor e, apesar de muita gente reclamar disso, esse é um dos recursos literários que mais me agradam. Eu gosto que falem comigo; dá a impressão de que aquela história, aqueles acontecimentos, são verídicos. Como no livro tudo se passa num período anterior à formação da Inglaterra como Inglaterra propriamente dita, tudo casa muito bem.


   Durante o desenrolar da história, são inseridos outros personagens na trama além do nosso já conhecido casal do primeiro capítulo. Permeando o livro todo, ou boa parte do livro, temos dois cavaleiros e um menino. Têm-se também muitos aldeões e viajantes, mas eles estão apenas de passagem. Enfim, um desses cavaleiros é um cavaleiro arturiano o que faz com que o próprio Artur seja citado na história. O que acontece, então, é uma narrativa onde se reverbera os tempos do Rei Artur! Eles discorrem, questionam e conversam sobre a Bretanha antes, durante e depois do rei capaz de unir as duas cruzes. Como tenho um pequeno tombo por histórias arturianas essas partes da história me agradaram bastante.

    Por ser um livro que trata de uma viagem, uma jornada, literalmente, houve momentos em que o ritmo ficou um pouquinho enfadonho. Mas o final compensa bastante. Conforme todas as peças vão se encaixando, a narrativa se mostra mais e mais interessante. As cenas de batalha são rápidas, mas acredito que o foco da história é muito mais todo o plano de fundo às batalhas do que as lutas em si. A narrativa trabalha com o amor e a memória, e eles são chave muito importante para se compreender tudo o que acontece.

    O final me deu aquele sentimento de dualidade. Foi bom porque foi bonito, lindo, poético. Mas foi ruim porque eu não queria que tivesse acabado daquela forma. Quando eu fui percebendo que ia mesmo terminar daquele jeito foi dando um desespero..., Mas, como já disse, foi um desfecho bem bonito. Uma outra coisa interessante é que, pensando agora, o jeito como tudo se inicia e depois como tudo termina, dá a impressão de que a narrativa toda não passou de apenas um pedaço da história de algo muito maior. Talvez daquela terra, talvez da Bretanha toda, talvez do próprio mundo.


    Num geral, foi uma experiência agradável. Teve fantasia, dragões, ogros, cavaleiros, viagens e batalhas. Teve poesia, flashback e conversas memoráveis. Teve reflexões e momentos de tirar o fôlego e apertar o coração. E você passa o livro todo tentando entender porque a história se chama O Gigante Enterrado. E, na hora que você descobre, do jeito que você descobre, é tão simples que chega a ser cômico. Para quem gosta de livros com esse clima fantástico antigo é uma boa pedida. O Gigante Enterrado é uma história fantástica e linda que, ao fim de tudo, deixa aquele gostinho de "quero mais".

Resenha: One Punch Man


   E chegou a vez do "Homem de Um Soco Só", o indivíduo mais forte da Terra, aquele que rendeu mais piadas ruins do que qualquer um poderia desejar: One Punch Man! 

    De longe um dos animes mais aguardados da temporada de outubro, One Punch Man tinha nas costas muita expectativa. A história gira em torno de Saitama, um assalariado residente na cidade Z, que resolve se tornar um herói por hobby. Acontece, que o cara se esforça tanto, e treina tanto que se torna o homem mais forte do mundo, e ainda perde o cabelo no processo. Saitama é capaz de vencer qualquer oponente com um único soco.

    Certo, quando todo mundo começou a comentar sobre One Punch Man eu estava completamente desinteressada. Eu não gosto de heróis em geral. A ideia de um super-herói nunca me agradou muito. Só que todo mundo falava de One Punch Man! Sobre como era legal, divertido, engraçado e tudo o mais. Então, de tanto ouvir as pessoas comentando e super hypados para assistir o anime, e após uma amiga que lia o mangá dizer que era mesmo legal, resolvi dar uma chance. Fiz bem.

    Normalmente, quando muitas pessoas falam muito de uma obra, as vezes eu acabo não gostando. Não porque a obra seja ruim, mas porque, geralmente, ela é só algo bem comum e eu vou cheia de expectativas que não são atendidas nem levemente. Mas, com um One Punch Man aconteceu o contrário. É completamente diferente do que eu imaginava. É legal.

  


Ouvindo falar de One Punch Man pela primeira vez, talvez tudo passe uma ideia muito boba. É bobo. E One Punch Man só é legal porque tem um lado bem bobo. O importante da história é que a narrativa reúne um bando de clichês das histórias de super-herói e brinca com isso. One Punch Man mostra o quão frustrante pode ser a rotina de um super-herói, mais do que isso, o quão frustrante é a vida do cara mais forte do mundo. Imagina só? Você vence qualquer oponente com um soco, você nem se diverte lutando porque não existe no mundo todo nenhum oponente à sua altura! É frustrante... E hilário.

    Eu vejo One Punch Man como um anime de humor, muito mais do que como um anime de batalha; embora o segundo gênero sempre tenha humor também. Apesar de existirem cenas de batalhas boas e emocionantes, elas sempre são quebradas ou terminam com alguma situação bem cômica. E a graça da história está toda aí. Os heróis são clichês, os vilões são clichês e então temos o Saitama que é o protagonista mais esquisitamente engraçado que eu já me deparei. Quando está lutando ele assume uma expressão séria, as feições fortes e decididas pra logo depois ter a maior cara de pastel que eu já vi. Esse jogo de expressões é algo muito legal e muito claramente perceptível, dá um toque bem interessante à história e ao personagem.

One Punch Man se saiu muito melhor do que eu esperava. Foi muito mais divertido, me apresentou um conceito interessante, me mostrou uma ideia interessante. Eu o consideraria inovador, de uma certa forma. Se formos pensar em toda a questão de retratar o dia-a-dia de um herói, inserido numa comunidade de heróis, numa sociedade onde se sabe da existência desses heróis, tendo de salvar o dia e conviver com o julgamento das pessoas.... É algo interessante, dá vontade de assistir ou ler. Basicamente, o foco é muito mais na vida do herói em si e em como ele se relaciona com o seu entorno do que nos vilões que ele vai derrotar. 


    Resumindo: depois de doze episódios mais um OVA, preciso dizer que One Punch Man é mesmo legal. É divertido, engraçado, tem lutinhas, um protagonista legal e personagens coadjuvantes legais também. De fato, a série está fazendo um sucesso muito estrondoso, então, talvez bata aquele receio, porém vale a pena dar uma chance. O mangá vai ser lançado no Brasil pela Panini, então quem tem "dinheiros" e gosta de colecionar a chance está aí.

Resenha: Sakurako-san no Ashimoto ni wa Shitai ga Umatteiru


"Quando você encara o abismo, ele te encara de volta"

   Um estudante comum do colegial. Uma bela garota apaixonada por ossos. Esses são os protagonistas da série de light novel de mistério intitulada Sakurako-san no Ashimoto ni wa Shitai ga Umatteiru escrita por Shiori Ota e ilustrada por Tetsuo. A adaptação em anime, pertencente à temporada de outubro, conta com doze episódios e foi uma surpresa muito agradável nessa temporada. 

    A história gira em torno de Tatewaki Shoutarou, o estudante do colegial, e Kujou Sakurako, a osteologista completamente apaixonada por ossos. Shoutarou leva uma vida tediosa até conhecer Sakurako; e se a paixão por ossos advinda de uma garota tão jovem já não era motivo de estranheza suficiente, tudo se torna de fato intrigante quando o garoto percebe que sempre que está com a moça eles acabam por encontrar cadáveres.

Sakurako-san foi, para mim, um dos melhores animes da temporada. Desde o início ele teve uma premissa muito boa e se manteve assim até o final. Apesar de um pouco "parado", não acontecem muitas coisas em todos os episódios, a forma como a narrativa foi conduzida fez com que a experiência não se tornasse entediante. Logo que essa temporada começou, percebi que a grande salvação estaria no gênero mistério e afins. Nada me chamava muito a atenção, mas a sinopse de Sakurako-san fez com que eu parasse e pensasse "Okay, isso pode ser bom". E foi.

    Ao meu ver esse foi um anime bem completo. É importante ter em mente que nenhuma obra é cem por cento perfeita e que alguém sempre vai encontrar alguma coisa para criticar, mas algumas vezes nos deparamos com algo bem completo. Eu considero o anime de Sakurako-san um anime bem completo. A animação foi boa, a trilha sonora foi boa (tanto abertura, quanto encerramento, passando pela trilha dos episódios), o visual dos personagens, a narrativa, a história, a maneira como a trama se desenvolveu.... Eu fui muito capturada por Sakurako-san, foi uma experiência agradável.

    Pensando nos personagens, considero-os carismáticos. O Shoutarou é um fofo. Ele tem uma carinha de bom menino, meio ingênuo, meio neném... E eu sinto vindo dele uma vontade de impressionar a Sakurako, de se provar mais maduro, de se tornar digno de ser chamado por ela pelo próprio nome. Afinal, a garota dos ossos só se refere à ele como "shounen". Ao mesmo tempo, apesar de Shoutarou ser mais jovem, existem alguns momentos que ele usa uma espécie de autoridade sobre a Sakurako, meio que colocando ela na linha. Apesar de possuir uma carinha meio de bobo, o Tatewaki é mais do que isso. É um personagem a se considerar.

     Já quando olhamos para Sakurako estamos diante de todo o motivo, de todo o brilho, a autoridade da narrativa em si. Primeiramente, ela é uma pessoa meio excêntrica. Como é osteologista e adora ossos, a casa de Sakurako é cheia de espécimes que ela remontou à mão. Sim, ela têm um monte de esqueletos de animais espalhados por toda a casa. Isso somado ao grande imã que ela tem para sempre estar num lugar onde tem algum corpo enterrado e à capacidade que ela tem de ser absurdamente assustadora e madura num momento, e no outro agir como uma garotinha de dez anos, a tornam um personagem muito interessante. Não digo que ela é o personagem mais fascinante da temporada, porque esse título deixo pra Magata de Subete ga F ni Naru, mas Sakurako é uma das personagens mais fascinantes da temporada. Ela é linda, inteligente, misteriosa, complexa... E ela tem um ar tão atraente, uma coisa que te dá vontade de descobrir mais sobre ela.  

    E por falar em "ar" e "coisa", o clima do anime é muito bom. As cenas tinham um tom bem agradável. Ás vezes a cena começava com um tom leve e ia gradativamente se tornando mais tenso. Não era algo brusco, era gradativo... E nos momentos que eles tinham de resolver algum caso e a Sakurako pensava, a musiquinha de fundo fazia com que o expectador sentisse o cérebro dela trabalhando mais rápido. A música quase fazia seu próprio cérebro também começar a trabalhar mais rápido. Isso configurava à cena e ao anime um tom um tanto Hyouka, que por sua vez me remetia levemente ao tom de Sherlock.

Além de todas essas coisas, Sakurako-san teve uma das aberturas, quiçá a abertura, mais bonita da temporada. A música se encaixava perfeitamente bem com as cenas se desenrolando e as cores eram absurdamente lindas. As cores do anime todo eram muito bonitas, mas na abertura tinha um ar misterioso, místico, atiçava a curiosidade e envolvia. Foi minha abertura favorita nessa temporada de outubro. Outra coisa que achei bem interessante foi a maneira como os episódios eram apresentados, cada episódio era um osso o que se adéqua perfeitamente bem ao clima da trama.


    Resumindo tudo, acho que a palavra completo é o que melhor exemplifica Sakurako-san para mim. Talvez algumas pessoas reclamem do último episódio, mas eu gostei dele. Foi bonito. Deu um gostinho de quero mais. Isso somado a todo o desenvolvimento do anime me agradou bastante. Foi interessante, foi instigante, belo e misterioso como a própria Sakurako-san. 

"Reto e inflexível, igual a um fêmur, ele reprime a cidade e o coração de seus habitantes"

                                          



   
  


   

Resenha: Noragami Aragoto


    A tão esperada segunda temporada de Noragami, enfim, foi ao ar. Pertencente à temporada de Outubro e animada pelo estúdio Bones, a série contou com treze episódios que deram sequência à história da primeira temporada. 

    Desde o começo eu estava bem empolgada com Noragami, eu gostei muito da primeira temporada, então, quando fiquei sabendo que haveria uma sequência não pude deixar de me animar. Posso dizer que não me decepcionei. Diferente do que aconteceu com a segunda temporada de outro anime que eu também gostava bastante (por Deus, o que foi Tokyo Ghoul?), a sequência de Noragami foi, ao meu ver, bem conduzida. Embora, assim como a primeira temporada, houveram fillers. Ou pelo menos fui isso que eu ouvi dizer (li) por aí nas internets. 

   O arco do mangá que Noragami Aragoto cobriu, foi um arco bem legal. Tinha muita treta, muita treta mesmo. Isso sem contar algumas respostas para certas perguntas que permaneceram da primeira temporada. Houveram momentos bem emocionantes. Acho que foi algo bom de se acompanhar. Assim como na série anterior, a abertura e o encerramento estavam muito bons. As músicas, as cores, tudo se encaixava bastante com o enredo e o desenrolar da trama. Gostei bastante, mesmo. A animação não estava 10/10, mas foi razoavelmente boa, embora tenha tido alguns escorregões.

    Em relação à trama em si e os personagens, foi mesmo algo interessante de se ver. As relações entre Bishamon e Kazuma, Yato e Nora, Yukine e Yato, entre outros, tiveram uma grande carga emocional. Falando do Yukine, ele amadureceu bastante; vindo dele, sinto uma transformação considerável: Yukine passa de um garoto mimado, para alguém muito mais maduro. Ele está mais forte, mais decidido, ele sabe o que quer. Mas ainda continua um fofo.

  

Quanto à Bishamon, a deusa marcou presença nessa temporada e se mostrou incrivelmente maravilhosa. Eu gosto da Bishamon. Ela é linda, poderosa, uma grande chefe de família, dedicada e justa. Ou, pelo menos, ela tem uma grande sede de justiça. Ao seu lado, sempre se encontra Kazuma, todo sério e cortês. Juntos eles têm uma sonoridade imbatível.

    Em relação à Hiyori não sei se tenho muito o que dizer. A ligação entre ela e Yato alcançou outros níveis. Essa relação, essa ligação entre eles, é algo muito importante. A Hiyori é "devota" ao Yato, ela se preocupa com ele, ela confia nele... Isso vai além do esperado por Yato. É uma interação muito importante que, como sempre, rende muitos escapes cômicos.

    Sim, os escapes cômicos. Apesar dessa segunda temporada possuir uma carga mais séria, Noragami não é Noragami sem o Yato fazendo palhaçada. Ou sem Kofuku e Daikoku que são outra dupla muito boa e engraçada. Meu Deus, eles são muito engraçados. Só a presença da Kofuku já o suficiente para causar uma atmosfera cômica.

   Também não faltaram aparições daquela Nora já conhecida por todos. Toda misteriosa, vestida de branco, aquele ar sombrio, aquela carinha de anjo que possuí contrato com as trevas.... Ela emana uma áurea bem característica dela mesma. Quando Nora aparece todo o ambiente se transforma, a cena toda muda. Fica aquele jogo de tensão, você fica em alerta esperando alguma coisa acontecer. Porque algo VAI acontecer, e geralmente nunca é coisa boa. Entretanto, eu não consigo odiar ela. Eu a olho e vejo uma menina vestida de branco e aquela atmosfera toda misteriosa, mas raiva eu não consigo sentir. Pensando bem, tem algo nela que me remete à Kanna de InuYasha. 

     Enfim, resumindo tudo, eu gostei de acompanhar Noragami. Mesmo a animação tendo dado umas escorregadas e mesmo com os fillers. Como eu não leio o mangá, acho muito mais fácil para mim aceitar a existência dos fillers do que a galera que lê, ou talvez eu só tenha meio que aceitado isso como um mal comum a ser tolerado. Ou, ainda, eu goste o suficiente de Noragami de tolerar isso. Não vou saber dizer com certeza, o fato é, eu gostei de acompanhar Noragami Aragoto. Foi legal, foi bom, foi engraçado e foi emocionante. O anime me ganhou logo na abertura e no encerramento eu estava rendida. Sim, eu me vendo facilmente por aberturas e encerramentos, eu gosto de música e considero a questão trilha sonora e o que a envolve algo importante nas obras.


    Resumindo: foram treze episódios gostosos de acompanhar, mais um OVA hilário. Para aqueles que são muito curiosos e possuem tempo disponível fontes confiáveis recomendam ler o mangá porque tem muita coisa acontecendo.