“É
apenas quando você aceita que vai morrer que consegue realmente se libertar...
...e
aproveitar a vida ao máximo.
Este é o grande segredo.
Este
é o milagre.”

A palavra que melhor descreveria tudo que Daytripper é
capaz de representar seria “lindo” ou talvez “lírico”, sem deixar de ser
surpreendente. A sinopse da história te dá uma leve ideia do assunto abordado
na obra, entretanto, a história completa vai muito mais além. Ver a vida de
Brás se desenrolando diante dos seus olhos te faz pensar em sua própria vida e
não só nisso, te faz pensar na vida como algo geral, como uma quase entidade. O
que você tem feito da vida, afinal? Como você deveria viver a sua vida? O que
é, exatamente, viver? São uma enorme gama de questionamentos que parecem não
ter solução e talvez não tenham mesmo.
Outro ponto de destaque de Daytripper é a qualidade
literária discursiva da obra; não são só as ilustrações, não é só a temática, a
linguagem escrita também é muito bem executada. A imagem criada pela língua se
conecta com as ilustrações tornando a experiência de leitura mais profunda e
agradável.
Os personagens também geram uma simpatia considerável,
desde o protagonista Brás, passando por sua esposa, seu pai e seu inseparável
amigo, Jorge. Todos os personagens têm suas marcas características e suas
próprias formas de lidar com suas vidas. Esses personagens fazem parte da
jornada de Brás, ao mesmo tempo que fazem sua própria jornada.
Daytripper é, sem dúvidas, uma história linda e
emocionante, com um toque lírico e uma arte de encher os olhos. Os
acontecimentos da vida de Brás e a forma como ela é contada convidam o leitor a
pensar em sua própria vida e refletir a temática da obra: quais os dias mais
importantes da sua vida? Afinal, quando a vida começa?